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Postado por Cleverson Bravo em 23/08 às 23:59
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Cabe nessa data o artigo a seguir de Fernando Pellegrini Bandini, licenciado em Letras pela Unicamp

nr1 A pátria em chuteiras de Nelson Rodrigues

Quando Nelson Falcão Rodrigues nasceu, em 1912, o futebol no Brasil chegava há sua terceira década começava a deixar os clubes grã-finos e espalhava-se por várzeas e agremiações populares. Quando morreu, em 1980, o Brasil era o “país do futebol” e exibia o melhor currículo das seleções: das onze copas do mundo até então disputadas, havia conquistado três títulos mundiais, um vice, um terceiro e um quarto lugares. Revelara Pelé, o melhor jogador de todos os tempos, e um punhado de craques admiráveis.

Para louvar tal futebol, tão bonito como “uma paisagem de calendário”, Nelson criou essa e dezenas de expressões e personagens que ajudaram a formar a mitologia do futebol brasileiro. O leitor e o torcedor conheceram o “Sobrenatural de Almeida”, a “Grã-fina das narinas de cadáver”, o “Idiota da objetividade”, o “Narciso às avessas”, o “Príncipe etíope”, o “Sublime crioulo”, a “Lagartixa profissional”, o ‘Possesso’, o “Quadrúpede de vinte e oito patas”… Nelson reinventou o futebol a seu modo.

O autor de “Vestido de noiva” foi o primeiro dos grandes escritores brasileiros a pautar o universo futebolístico como um dos principais e mais frequentes assuntos de sua produção literária. Antes dele, poucas menções. João do Rio citara o esporte que engatinhava na antiga capital federal. Lima Barreto denunciara o “jogo de elite”, disputado por moços ricos em clubes fechados que não permitiam jogadores negros. Alcântara Machado transformara-o em assunto em conto de Brás, Bexiga e Barra Funda (“Palmeiras 1 Corinthians 2”). Mário de Andrade citara-o em Paulicéia desvairada. Mas o futebol ainda estava à margem da literatura. Nelson trouxe-o para o centro da cena. E deu-lhe um caráter épico. O futebol em Nelson Rodrigues é arrebatado, grandioso, exagerado como tudo que o escritor produziu. A pátria “calça chuteiras” para acompanhar sua seleção de futebol; “mantos invisíveis pendem do peito do rei Pelé”; o Fluminense “nasce quarenta séculos antes do paraíso”, surge o Fla-Flu e as “multidões despertam”.

Suas crônicas foram recolhidas por Ruy Castro em À sombra das chuteiras imortais e A pátria em chuteiras. O jornalista mineiro, que já repusera o dramaturgo em cartaz com sua extraordinária biografia O anjo pornográfico, organizou em ordem cronológica a produção do cronista. O leitor pôde observar como Nelson foi o grande poeta do melhor momento do futebol brasileiro, entre 1958 e 1970, quando vieram os três primeiros títulos mundiais, mais Pelé e Garrincha. O escritor, que mal enxergava o que se passava em campo – por muito tempo teimou em não usar óculos, apesar de recomendação médica – via no futebol uma “busca pela poesia”. Por isso o esporte seria tão amado. Diz o cronista: “o que nós procuramos nos clássicos e nas peladas é a poesia”, insuspeita e absoluta: “Há por todo o Brasil uma sede e uma fome de bola”. O sujeito vai a um clássico de futebol, ou a “um torneio de peteca ou de cuspe à distância é na esperança ainda da poesia”.

Vira-latas

Escreveu para Manchete Esportiva, O Globo, Jornal da Tarde crônicas em que, pela lente do esporte, vislumbrava uma secreta identidade nacional. E, entre a seriedade e a galhofa, analisou o brasileiro. Dizia que antes de conquistar o primeiro título mundial, em 1958, na Suécia, o brasileiro tinha “alma de vira-lata”, e por isso perdera a finalíssima de 1950, para o Uruguai, no Maracanã, e fora derrotado pela Hungria em 54, na Suíça. Mas com Pelé o futebol brasileiro perderia sua “humildade deprimente” e ganharia em qualidade. Seria “insolente e vencedor”, como o craque que despontava. A respeito do jogador, Nelson vaticinou-lhe a grandeza em crônica de 1957, quando o garoto começava a brilhar no Santos Futebol Clube. Em março de 1958, três meses antes da Copa, publicou a crônica “A realeza de Pelé”, na qual profetizou a conquista do título porque agora, com o Rei que dribla os adversários como “quem afasta um plebeu ignaro e piolhento”, os “inimigos tremerão”. A partir do mundial da Suécia, Pelé passou a ser reconhecido como o maior. E Nelson volta e meia falava do “sublime crioulo”.

Garrincha também inspirou o cronista a propalar seu ufanismo. Mas se Pelé representa ousadia e mesmo petulância, Mané inspira docilidade (mas não servilismo). O pacato atacante, a quem os “pombos da Cinelândia e os pardais do boulevard 28 de Setembro chamam de ‘nosso irmão, o Mané’”, é um predestinado a manter o futebol brasileiro em evidência e a chacoalhar o país, acordando-o para sua grandeza. O Brasil seria outro se nós, brasileiros, fôssemos como o “anjo das pernas tortas” dentro do campo. Mané Garrincha carrega a seleção para o bicampeonato no Chile, em 1962, e o cronista escreve: ”Deslumbrante país seria este, maior que a Rússia, maior que os Estados Unidos, se fossemos 75 milhões de Garrinchas”.

Reacionário

Essa patriotada toda custou-lhe o desprezo de parte da crítica e o isolamento. Quando a ditadura instalou-se em 1964 e com o tempo deixou claro que viera para ficar, Nelson continuou a louvar a seleção e deu carona para o regime militar. Provocador intitulou-se reacionário, espicaçou a “esquerda festiva”, os “padres de passeata” e as “freiras de minissaia” e virou símbolo, ainda que incômodo, do conservadorismo de direita.

Com a conquista do tricampeonato, em 1970, no México, e o crescimento econômico, o regime tratou de misturar os caldos, e passou a trombetear a grandeza do país, campeão no futebol e pujante no seu desenvolvimento insuflado pelo “milagre econômico”.

Essa propaganda oficial deixou sombrio o cenário para quem se dispusesse a reconhecer a excelência do futebol praticado no Brasil. Exaltar o jogo ou o escrete brasileiro era o mesmo que apoiar a ditadura. No mínimo, evidenciava alienação política. Nelson Rodrigues estava longe de ser um alienado. Manteve-se elogiando, provocando indignações e colhendo antipatias. Nada de novo para quem já fora chamado de “pornográfico e indecente”, um “imoral” a “chafurdar nessa lama” da abjeção humana e social. O futebol era mais um – mas não o único – tema com o qual pudesse provocar ódios e gritarias “dignos de um Rigoletto”.

Ao longo da década de 1970, o cronista continuou a escrever como o torcedor apaixonado que desenha frases e imagens inusitadas para louvar o futebol.

Vitórias

Sempre apontando o Brasil como o favorito e o melhor, Nelson Rodrigues não dava o braço a torcer quando a seleção perdia. Implicava com jornalistas que não reconheciam os méritos do selecionado nacional. Ele não queria saber da propalada imparcialidade que o jornalismo deveria exibir. Dizia que o “ser humano é capaz de tudo, até mesmo de uma boa ação, mas não é capaz da imparcialidade”. Os colegas que se diziam “objetivos”, analisavam “os fatos”, como a eliminação na primeira etapa da Copa de 66 e a derrota para a Holanda na segunda fase na de 1974, e escreviam que o Brasil já não era o melhor, Nelson atacava com suas tiradas mordazes e bem-humoradas. Tachava-os de “quadrúpedes de vinte e oito patas”, que acabariam por “trotar num Sete de Setembro, como um dragão de Pedro Américo”. O Brasil perdeu feio em 1966, na Inglaterra? Pois se os jornalistas brasileiros reconhecessem o fiasco, estariam dando “coices triunfais”, pois a Copa fora uma bandalheira, uma armação para os ingleses triunfarem. Volta à cena a nossa “alma de vira-latas”, nosso complexo de subdesenvolvidos. Dizia que o brasileiro viaja e volta com sotaque do colonizador: “Pergunto aos paralelepípedos de Boca do Mato: tínhamos alguma coisa a aprender com os ingleses? Sim. Tínhamos. Por exemplo – aprendemos como ganhar no apito”.

O mundo reconheceu o revolucionário “carrossel holandês” de 1974? Pior para todos. Nelson repetia que os holandeses mostraram apenas a “saúde da vaca premiada”, e que a “grande contribuição” holandesa na Copa tinha sido o conhecido “chuveirinho”. Aparecia na contramão para provocar e, com estilo único, manter seu espaço na crônica brasileira.

Multidão dos estádios

Se os colegas eram obtusos ou cegos, com quem estaria a verdade? Quem veria o “óbvio ululante” da primazia do futebol verde-e-amarelo? As arquibancadas. O imenso contingente de torcedores anônimos, a aplaudir e a vaiar. Nelson é o cronista de uma época em que o Maracanã recebia freqüentemente mais de 100 mil torcedores para um clássico estadual ou um amistoso da seleção. Outros grandes estádios do país também atingiam ou beiravam essa marca, hoje raríssima no futebol brasileiro e mundial. Chega a afirmar que a idéia de multidão nasceu no Brasil com a construção do Estádio Mário Filho (nome oficial do Maracanã, homenagem ao irmão de Nelson, o também jornalista Mário Rodrigues Filho). Na sua opinião, esse é o primeiro espaço público a receber tanta gente ao mesmo tempo. “Nem o enterro do Barão de Rio Branco reuniu mais que o Mário Filho para o Fla-Flu do último domingo”.

Tantas vezes ressabiado com a opinião pública, autor da famosa máxima de que “toda unanimidade é burra”, Nelson, no entanto, enxergava nas multidões dos estádios profetas que se antecipavam aos cronistas e radialistas para apontar os craques e gênios dos gramados: ”os mitos são gerados no ventre numeroso, úmido e cálido das torcidas”. Ele esmerou-se em tingir com tintas fortes esses mitos, e imortalizou-os nas páginas de jornal.

Com Nelson Rodrigues, o futebol brasileiro ficou ainda mais bonito. E bem mais divertido.

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Postado por Cleverson Bravo em 22/08 às 23:17
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Postado por Cleverson Bravo em 19/08 às 15:03

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Postado por Cleverson Bravo em 18/08 às 08:54
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Postado por Cleverson Bravo em 17/08 às 07:52

O eterno narrador da Rede Globo mora na Europa, como você pode ler abaixo. Quando passou pelo Brasil, nos últimos dias, foi alvo de duas longas conversas, representativas. As páginas amarelas da Veja, por menos que eu goste da publicação. E a coluna dominical de Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, uma das referências no estilo do País. Vale a leitura, a seguir, na íntegra.

Domingão do Galvão

O locutor passa por tratamento para se livrar de fungos na garganta e na boca e diz que pretende animar seu próprio programa de auditório

Em SP para o lançar, na terça, um vinho e um espumante que levam seu nome (o “Bueno Paralelo 31″ e o “Bueno Cuvée Prestige”, assinados pelo francês Michel Rolland), Galvão pega régua e compasso: ele pretende redesenhar a vida profissional a partir de 2014, ano em que narrará, no Brasil, uma Copa do Mundo “pela última vez”. O locutor recebeu a coluna no hotel Hyatt, onde fica quando está na cidade -ele hoje vive em Mônaco. Entre copos de vinhos e declarações de amor à mulher, Desirée, falou sobre vários assuntos. A seguir, um resumo:

VOLTA DA SELEÇÃO Um espetáculo. Esse primeiro jogo [contra os EUA, na terça] resgatou o nosso jeito de ser, a nossa irreverência, a molecagem sadia. Você vê o Ganso, o Neymar e o Pato, que tinham que estar lá na Copa da África. Fiquei extremamente feliz. Tive mais prazer em transmitir esse amistoso do que nos seis jogos que fiz na Copa.

NA ÁFRICA Transmitir jogos da seleção brasileira, na minha profissão, é um êxtase. Mas talvez esta tenha sido a única das minhas dez Copas em que não tive nenhum prazer [nas partidas]. Você sentia que os jogadores não jogavam com gosto, eles jogavam com raiva, mais para dar respostas do que pelo prazer de jogar. Isso não é o futebol brasileiro. O processo foi tão doloroso, tão triste, uma coisa tão exagerada, tão radical.

DUNGA Eu sempre defendi o Dunga. Ele começou muito bem, caminhou bem e depois se perdeu inteiramente. Por que uma pessoa tão vitoriosa tem que se alimentar de revanchismo? E não foi só Dunga. Foi o [auxiliar técnico] Jorginho, o [supervisor] Américo Faria…. Quem se alimenta de ódio e de revanche está sempre mais perto da derrota do que da vitória. Nós saímos da Copa sem usar a terceira substituição. Talvez não tivesse ninguém pra colocar, porque ele não levou a seleção. Levou os amigos dele.

Folha – A briga com Dunga afetou o ânimo da TV Globo?
Nós? Nada. Zero. Não quer falar? Não fala. Punido foi o pobre do torcedor brasileiro. E o que falaram, que a [apresentadora] Fátima Bernardes pediu uma entrevista e ele não deu, que ele pediu cabeça de gente…conversa fiada. Quem é ele para pedir cabeça de alguém na TV Globo?

E por que a bronca?
O Dunga tinha traumas antigos que foram alimentados pelos assessores. O problema não era a TV Globo. É que é legal eleger a Globo. É legal eleger a Folha. É legal eleger a revista “Veja” [como alvo].

E eleger o Galvão.
É o maior barato. Para os outros.

CALA A BOCA GALVÃO Foi um barato, uma grande gozação. E virei papagaio! O Ayrton Senna me chamava de papagaio e agora virei oficialmente. [Aponta o céu] Ele deve estar morrendo de rir. Mas eu tomei um susto, é claro. Começou quando eu e a Fátima apresentávamos o show de abertura da Copa.

Aquele em que você dançou na bancada?
Sou baladeiro, festeiro. Saímos de lá numa felicidade imensa, “do cacete”, a audiência foi um espetáculo. E veio aquele aluvião, o Cala a Boca Galvão [espectadores tuitavam para que Galvão não falasse no meio do show]. Esse Twitter é um troço doido. Quando vi, me procuraram Folha, “O Globo”, “Veja”, “El País”, “New York Times”. Pra falar um português claro, eu pensei: fodeu.

Pensei: e agora? Vamos divulgar nota oficial? Mas não sou político. Não cometi crime. Aí surgiu a ideia de falar no [programa] “Central da Copa”, com o Tiago Leifert. Ele é brincalhão. Me vejo nele. Eu era folgado e abusado na idade dele. E assumi a brincadeira. O que poderia ter sido ruim virou um grande barato. Teve também aquele maluco que fez o vídeo dizendo que Cala a Boca Galvão queria dizer “Save the Birds”. Sensacional. Virou um troço mundial mesmo. Até propus à Globo que fizéssemos uma campanha séria [em defesa de pássaros em extinção]. Eu virei cult.

A VOZ No jogo de Brasil e Holanda na Copa, eu travei. A minha voz falhava, parecia carro de embreagem ruim. O Cleber Machado chegou a ficar de prontidão. Me apavorei. No Brasil, o [cantor] Zezé Di Camargo me indicou o Luiz Cantoni, otorrinolaringologista. Ele botou câmeras na minha garganta: “Olha isso!”. Estava forrado de placas brancas. Peguei um fungo na boca, na garganta, na faringe. Sabe micose no dedo? Eu tenho nas cordas vocais. Rinite fungótica. Ó que nome doido? Tomei anti-inflamatórios, fungicidas e estou fazendo cinco gargarejos diários com Micostatin. Já estou quase perfeito. É o Fala Galvão. Voltei a gritar.

O FUTURO A Copa de 2014 será a última que vou narrar. Porque é uma entrega total. Eu saio da Copa moído, acabado. Vou estar com 66 anos, 42 de profissão. E eu sou um saltimbanco. Deus me deu duas mulheres excepcionais: a Lucia, minha primeira mulher, que morreu em janeiro, e a Desirée. Elas sempre foram mãe e pai. Eu tenho cinco filhos, dois netos maravilhosos. Quero dar um pouco mais pra mim e mais de mim pra eles. Mas eu não quero sair da Globo nunca mais! Eu vou fazer 30 anos de Globo em 2011. Vou fazer um livro, “30 Anos de Estrada”. E sou louco para fazer um programa de auditório. Doido.

Tipo Silvio Santos?
Tipo Faustão. Ou Jô. O Pedro Bial se rasgou no “Big Brother”. Aquilo lá é um programa de auditório. E o Bial é gênio. Cineasta, poeta, repórter, escreve como ninguém. É o Chacrinha dos dias de hoje. No “BBB”, passou a ser atacado. Como eu.

Há preconceito contra o que é popular?
No Brasil tem preconceito contra todo mundo que faz sucesso. Ponto.

SALÁRIO Ganho mais do que preciso e menos do que mereço.

R$ 1 milhão por mês?
Você é que está falando [risos]. Eu não posso. Mas, se não for, tá perto [mais risos]. Dizem que talvez eu seja o maior salário da Globo. Mas não quer dizer que eu ganhe mais. Eu não faço merchandising, comerciais. Não posso e não devo.

A GLOBO MANDA NA BOLA Isso é uma bobagem. Eu acho até que devia mandar mais. Porque ela paga as contas [a emissora compra dos clubes o direito de transmitir jogos].

LULA Você já viu alguém dizer não para entrevistar o Lula? Eu disse. A assessoria dele me procurou para fazer um “Bem, Amigos”. Quando eu vi, ele ia dar entrevista para todas as televisões. Eu falei: “Obrigado, não quero”.

O Brasil melhorou?
Melhorou. Sem dúvida. Nos últimos 16 anos, melhorou. Entendeu os 16 anos?

CRAQUES AMIGOS Quando sofri um acidente [em 2004], o Kaká ligou para o hospital. E disse à Desirée: “Diga que é o outro filho dele. O do futebol”. Essa é a nossa relação. Pelé, Rivellino, Zico, Júnior, Falcão, são gênios. E meus amigos há 30 anos. Mas hoje tá mais difícil. Para falar com um jogador, você passa por 18 assessores. E provavelmente, se não for o Galvão, não fala com eles.

VIDA EM MÔNACO Foi um presente que me dei. Quando Ayrton morava lá, eu falava: “Um dia eu vou ser gente pra morar aqui”. É uma coisa de realização, de você fazer aquilo que projetou há 25 anos. Lá, em duas horas, estou em qualquer país para narrar um jogo. Facilitou a vida. Meus filhos estudam em escola internacional. O Luca tem nove anos. Lê, fala e escreve em inglês e em francês.

Você tinha sete empregados no Brasil e lá só tem um.
Dois eram seguranças. Um era motorista. O outro era jardineiro. Aqui, sou aconselhado a ter segurança, carro blindado. Lá não tem nada disso. A Desirée põe a mesa do jantar, os meninos tiram.

E no Brasil?
O Luca é muito inteligente. Mas eu sempre desconfiei que ele não era tão inteligente quanto a diretora da escola aqui dizia. Porque ele é filho do Galvão. Lá, eles têm que caminhar por eles. Do lado bom e do lado mau. Meu filho Cacá Bueno é um gênio como piloto [de Stock Car]. Sofreu anos de perseguição por ser meu filho. No auge da rejeição ao Galvão, ele subia no pódio e vaiavam. Faziam o mesmo coro do “Galvããão, viado”. É uma sacanagem. Machuca muito.

DIVINA VAIDADE A Desirée é uma mulher e uma mãe espetacular. Me devolveu a vaidade, a vontade de viver mais, de ser mais jovem. Ela é 18 anos mais nova. E um amigo me disse: “Galvão, a gente tem a idade da mulher que ama”. Ó que coisa bonita! Há dez anos fiz plástica, na pálpebra. Acho até que tá na hora de dar um tapinha aqui [no pescoço]. O papinho tá feio, tá caído aqui, ó!

AMOR AOS 60 Aos 49, quando conheci Desirée, ele foi arrebatador. Aos 60, ele é encantador.

SEXO AOS 60 Um espetáculo.

Outro lance

Fim dos empates? Leia!

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Postado por Cleverson Bravo em 11/08 às 13:23
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Postado por Cleverson Bravo em

do FIFA.com

O Chivas de Guadalajara entrará para a história hoje ao receber o Internacional na final da Copa Libertadores. Pela segunda vez em todos os tempos, um clube mexicano chega à decisão do torneio, nove anos depois da inesquecível campanha do Cruz Azul.

Para explicar o que significa participar da decisão do título continental, ninguém melhor do que jogadores que viveram a experiência em 2001. O FIFA.com entrevistou Francisco Palencia e Sergio Almaguer, integrantes da equipe do Cruz Azul que fez todo um país sonhar há quase uma década.cruz azul Chance de reescrever a história

México paralisado
Naquela época, quando o futebol mexicano começava a conviver com a nata sul americana, a campanha do Cruz Azul surpreendeu a todos, como recorda Palencia. “Poucos esperavam que derrotássemos clubes da categoria do River Plate e do Rosario Central, menos ainda da forma como o fizemos”, avalia o atacante, que hoje defende o Pumas. “Aquelas vitórias foram muito importantes para que as pessoas começassem a prestar atenção no futebol mexicano.”

Depois de vencer o seu grupo e eliminar sucessivamente o Cerro Porteño, o River Plate e o Rosario Central, o Cruz Azul enfrentou na final outro grande clube argentino, o Boca Juniors. Almaguer recorda as emoções pessoais e do grupo naqueles confrontos decisivos. “O país estava muito entusiasmado porque pela primeira vez um clube mexicano chegava tão longe. Disputamos as duas partidas anteriores no Estádio Azteca, e o público compareceu em massa. Havia uma enorme expectativa em relação aos resultados e ao futebol que jogávamos.”

Os mexicanos perderam por 1 a 0 na Cidade do México, mas voltaram a dar prova de valentia ao vencerem o Boca Juniors pelo mesmo placar na mítica Bombonera em Buenos Aires. Na decisão por pênaltis, no entanto, os argentinos levaram a melhor. “Aquela foi a única diferença”, avalia Almaguer. “Fomos buscar a vitória e só falhamos nos pênaltis.” Palencia concorda. “Jogamos um grande futebol. Foi uma pena não termos sido campeões, mas essa continua sendo uma das grandes recordações da minha vida.”

Para o atual atacante do Pumas, o segredo do clube foi o trabalho em grupo. “Havia muita camaradagem no vestiário, os 11 jogadores da equipe davam tudo de si em campo e ninguém se considerava uma estrela”, descreve. Almaguer tem recordações semelhantes. “Tínhamos muito a ganhar e pouco a perder”, relembra. “Não havia pressão. Além disso, tínhamos uma mistura perfeita de gente experiente e jovens talentos.”

O momento do Chivas
Os dois vice-campeões da América concordam que o Chivas tem uma chance muito boa de fazer história. “Esperamos que esses jogadores agora consigam finalmente levantar a taça”, afirma Palencia, que também jogou no clube de Guadalajara entre 2003 e 2005. “O time está muito bem dirigido e tem muita capacidade técnica e humana.”

Almaguer, por sua vez, é mais específico ao analisar as qualidades dos jogadores do Chivas. “Eles são muito dinâmicos, têm grande mobilidade, são flexíveis no posicionamento, têm passes precisos e verticalidade. Quando o Cruz Azul chegou à final, tínhamos seis estrangeiros. O Chivas conta apenas com jogadores mexicanos e quase todos vêm de equipes de base.”

Ao longo das suas campanhas na Copa Libertadores, as equipes mexicanas têm sofrido nos confrontos com os brasileiros. Porém, os dois entrevistados acreditam que a “maldição” chegará ao fim neste torneio. “É verdade que os brasileiros jogam diferente das demais equipes da América do Sul, mas o importante é chegar concentrado, e o Chivas está”, avalia Palencia. “O Chivas tem capacidade de superar o adversário em campo”, completa Almaguer.

Para terminar, os ex-jogadores do Cruz Azul opinam sobre o resultado ideal para o Chivas na partida de hoje. “Acho que eles têm de abrir uma vantagem de dois gols”, afirma Almaguer. Palencia, por sua vez, alivia um pouco. “Ganhar por qualquer placar facilita as coisas. É isso o que o Chivas deve buscar.”

Palavras de quem sabe do que está falando. Resta agora aos jogadores do Chivas se esforçarem para repetir o que conseguiram nas oitavas e quartas de final, quando superaram Vélez Sarsfield e Libertad por 3 a 0. Certamente o caminho para o título e para um capítulo de ouro na história do futebol do país ficaria bem encaminhado.

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Postado por Cleverson Bravo em 24/07 às 06:49
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