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O punk rock curitibano com a banda Repelentes

O Rock com Vina fez uma entrevista com a banda Repelentes, uma banda de punk rock que não perde em qualidade pra nenhuma banda gringa, e quando sobe no palco passa uma energia fora do normal. Se liga só…
1- Quais são as influências que estão presentes no som de vocês? Tem alguma brazuca que vocês se inspiram?
Lucas – As influências são bem variadas, vão desde o trash metal anos 80 ao punk clássico…
Josu –  Ramones, DK, New ModelArmy, Cólera, Plebe, Inocentes, Danzig, Slayer, ST, Hojerizah, Detrito, 365 e Vicente Celestino.
Daniel – Cólera, Replicantes, Restos de Nada, Olho Seco, Ratos de Porão, Garotos Podres, Fogo Cruzado, Ramones, Misfits, Dead Kennedys, Motörhead, Exploited, Buzzcocks, Slayer.
2- Vendo entrevistas de bandas Punk, sempre tem a hora que eles falam que já tocaram em lugares com a estrutura mínima para uma banda poder mostrar o seu som, que são os conhecidos buracos de ratos. Nesses mais de 20 anos de história vocês já passaram por algo parecido?
Lucas – Que banda nunca passou por isso hahaha. Normalmente as casas que tocamos tem uma estrutura legal, não podemos nos queixar. Lógico que muitos desses lugares poderiam investir um pouco mais na qualidade do som.
Josu – 99% dos lugares que tocamos são buracos suburbanos (me sinto em casa).
Daniel – Tocar sem o mínimo de estrutura é a escola básica do Punk Rock. Lugares obscuros, porões mofentos e festas estranhas fazem parte da diversão.
Daniel – Tocar sem o mínimo de estrutura é a escola básica do Punk Rock. Lugares obscuros, porões mofentos e festas estranhas fazem parte da diversão.
3- Vocês fizeram um Hiato entre o ano de 2002 e 2008, mas fora isso dá pra ver que sempre que estiveram na ativa e nunca pararam de produzir coisas novas e lançar CD’s. Como é o processo de composição de vocês? O último CD foi o Circo de Horrores lançado em 2015, tem mais algum no forno?

Lucas – Normalmente alguém da banda chega com uma ideia no ensaio, e a partir dela vamos desenvolvendo a música. Para o próximo disco já estamos tentando algo diferente, reunir a banda e compor o instrumental e as letras juntos.Estamos com um disco novo no forno sim, mas como 2015 foi um ano bastante corrido com shows, acabamos demorando um pouco mais para compor ele, mas no começo de 2017 teremos material novo.
Josu – Quando o “DaniHell” parar de produzir filhos a banda volta a produzir.
Daniel – Normalmente compomos de maneira individual e quando vamos produzir um álbum novo, apresentamos essas composições nos ensaios, trocamos ideias e opinamos na formatação da música, de maneira que o resultado final é sempre um trabalho coletivo. No momento, estamos trabalhando em um álbum previsto para 2017.
4- Como vocês acham que as mídias olham para a cena independente? E ela dá a força que é necessária ou hoje a cena consegue se sustentar por si só?
Lucas – Atualmente as mídias não estão olhando para a cena independente, porque, pra eles, ela não vende mais como no final dos anos 90 ate a metade dos anos 2000, quando teve o “boom” do hardcore independente no Brasil. Mas a cena consegue se sustentar sozinha sim. O legal das bandas independentes é isso, elas precisam se apoiar para sobreviver, é preciso trabalhar todas juntas, sem preconceito de estilos nem nada!
Josu – Nunca deu, mas talvez um dia irá. A cena não se sustenta, mas há esperança de que isso mude daqui algumas décadas.
Daniel – A indústria midiática ignora completamente a cena independente. Por mais que existam profissionais bem intencionados dentro dessas estruturas, o espaço concedido para a produção alternativa é ínfimo. Existem também os veículos de mídia oriundos das instituições públicas, que são extremamente seletivos e tendenciosos por conta dos aspectos políticos envolvidos. Felizmente a internet existe e tem sido a grande vitrine do Rock contemporâneo, tanto nas redes sociais, como nos sites especializados, blogs e rádios online. A cena independente segue marginalizada, desconhecida do grande público, porém consolidada, rica em produção e presente em todos os lugares.
5- Recentemente vocês lançaram o clipe “Circo de Horrores”. O resultado foi ótimo, está com uma produção muito boa. Como foi pra vocês todo esse processo? Ficaram felizes com o resultado? E nos falem se já tem algum clipe engatilhado mais pra frente.
Lucas – Esse é o segundo clipe da banda. No primeiro estávamos nervosos, não sabíamos pra onde olhar, hahahahaha. Mas esse já foi mais natural, tentamos passar a energia do show no clipe. Ficamos super felizes com o resultado, a Renata Prado mandou muito bem na direção e edição e por enquanto não estamos pensando em lançar mais clipe, mas para o próximo disco, com certeza produziremos novos vídeos.
Josu – Não sei, não posso responder. Não fiz nada, apenas ajudar a pagar a fatura, haha.
Daniel – Circo de Horrores é nosso segundo clipe, depois de 20 anos sem nenhum material desse gênero. Esse trabalho veio num ótimo momento e com certeza está ajudando muito a divulgar nossa música. Tínhamos uma idéia aproximada do que queríamos, passamos isso para a nossa amiga e diretora do clipe Renata Prado (Utopíe Produções) e ela teve total liberdade para criar em cima da proposta. Foi tudo muito rápido, com o menor custo possível e um alto nível de improvisação. Eu fiz a maquete e os bonecos que aparecem no vídeo e todo mundo contribuiu à sua maneira para o projeto sair do papel. O JR do 92 Graus foi um “parceiraço” e nos cedeu o espaço para as gravações da banda, o que contribuiu para dar um ar mais profissional para a produção. Com relação a clipes futuros, nada de concreto no momento, porém temos muitas idéias a respeito.
6- O Punk Rock nacional surgiu como uma crítica ao Regime Militar e vemos tanto nas músicas antigas quanto nas músicas do Repelentes, sempre letras fortes relacionadas não só a política, mas a assuntos gerais e muitas ideias cantadas antigamente, ainda fazem sentido atualmente. Vocês acreditam que as letras de vocês poderão fazer tanto sentido no futuro quanto as letras antigas fazem agora?
Lucas – Muito da política brasileira mudou nesses últimos anos, mas parece que nada mudou pois as letras de antigamente ainda fazem sentido hoje. Mas esperamos que num futuro não muito distante, elas não se encaixem mais com a nossa realidade…
Josu – INFELIZMENTE letras com crítica social vão demorar para deixar de serem atuais.
Daniel – Infelizmente, sim. Para uma sociedade evoluir ela necessita de uma maioria de indivíduos contribuindo para tanto. Pessoas éticas, com acesso a educação, cultura e cidadania, atuando nas diferentes esferas da sociedade, edificando progressivamente um futuro livre das mazelas com as quais convivemos. Porém, o egoísmo, a vaidade, o preconceito e a ganância continuam predominantes no comportamento humano e nos impedem de sequer vislumbrar essa evolução.
7- O Punk Rock nunca foi muito comercial, vemos que até bandas como Replicantes, Cólera, Inocentes, entre outras, embora sejam bandas fodas, não tiveram o sucesso merecido e até hoje não são muito conhecidas fora do circulo da galera que curte um Rock mais independente e/ou underground. Vocês acreditam que o punk pode voltar ao mainstream como foi no final dos anos 70 e também nos anos 80?
Lucas – Lutamos para isso, hahaha… O rock em geral está em baixa nesses últimos anos, mas não quer dizer que está morto. Vamos ser positivos e acreditar que essa nova geração vai salvar o rock.
Josu – É provável que nunca aconteça. Rock com músicas que provoquem ou estimulem o cidadão a pensar diferente da massa raramente será um produto vendável. Ser punk é remar contra a maré do óbvio. Se acostumem com isso!
Daniel – O Punk Rock não nasceu para ser mainstream. A cultura Punk representa o desprendimento da indústria cultural, a autonomia artística, a contestação de paradigmas sociais. Ocorre que, em momentos de crise sócio-econômicas um número maior de pessoas acaba se identificando com o Punk Rock e isso gera uma renovação da cena.
8- Como vocês olham para os bares e casas de show aqui de Curitiba? Ainda falta espaço para as bandas autorais?
Lucas – Realmente poderia ter mais casas porque, muitas delas, só aceitam bandas covers.
Não é à toa que em 2015 tocamos mais na região metropolitana de Curitiba, porque além de ser uma cena nova para nós, dão apoio pra bandas autorais.
Josu – Lugar pra tocar, tem. O que não tem é participação honesta dos lucros da bilheteria.
Ou pelo menos acho que deveriam parar de cobrar entrada. Bandas autorais raramente recebem grana pra tocar. Fazem a GIG, levam equipamentos, levam público, cujos mesmos pagam para entrar, consomem do bar e da cozinha do local. Mas no final as bandas saem como se ainda devessem algo pra casa… But ok… Tudo pelo rock.
Daniel – Curitiba tem diversas casas que abrem suas portas para as bandas autorais, um número crescente, devo dizer. Talvez, o grande nó da cena local seja o público. Certamente, toda estrutura de bares e casas de show seria melhor e mais rentável mediante um público que prestigiasse efetivamente as bandas independentes. Infelizmente não temos essa cultura, em grande parte porque nossas bandas não tocam nas rádios, não aparecem na TV e assim por diante. É um ciclo vicioso de auto sabotagem.
9- Existem várias bandas que tem uma diferença enorme entre as músicas gravadas e ao vivo. Tivemos a oportunidade de irmos a um show de vocês e vimos que o show é tão bom quanto o CD. A presença de palco é visível e admirável, vocês acham que isso é um diferencial ou é uma obrigação?
Lucas – Tocamos para nos divertir, não vejo nem como um diferencial e nem como uma obrigação a presença de palco, porque a partir do momento que você toca com tesão e coloca as suas emoções pra fora, o show naturalmente vai ter uma energia boa.
E o que queremos é que o publico sinta essa energia!
Josu – Se eu fosse obrigado a fazer, eu não faria! Apenas entramos na vibe do público, damos o  melhor. E, por fim, a  diversão fica acima de tudo.
Daniel – Primeiramente obrigado! Fico feliz pelo elogio ao nosso show. Eu penso que cada banda tem um perfil e vai se expressar nas gravações e no palco de acordo com esse perfil. Para nós, o show transcende a execução das músicas, é uma catarse, uma explosão de energia acumulada. O importante é que essa experiência seja verdadeira, só assim vai atingir ao público.
10- Obrigado galera, saibam que o Rock com Vina estará sempre disposto para divulgar a banda, e uma coisa que pedimos é que: qualquer coisa que vocês tiverem interesse de divulgar no Rock com Vina é só mandar uma mensagem, desde shows a lançamentos de músicas ou clipes.  
Josu – Colosso!
Meu rock é  com duas vinas e sem farofa, por favor.
Valeu, valeu mesmo!
Daniel – Nós que ficamos imensamente gratos pelo espaço! O trabalho de vocês é imprescindível para a cena alternativa. Iniciativas iguais as do Rock com Vina é que mantém a cena em constante renovação. Uma vitrine das bandas, contribuindo para a formação de público e opinião. Desejo vida longa, muitas realizações e sucesso ao Rock com Vina! Um grande abraço a você, Thiago, e a todos da equipe!
 
 


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