• Colunistas • Por Sandra Carraro
Ninguém lembra direito daquele show. O Hollywood Rock, de 1993. A edição mais famosa, rolou nos dias 15, 16 e 17 de Janeiro, no estádio do Morumbi, em São Paulo, e no Rio de Janeiro, em outras datas. Eram 110 mil cabeças que lotavam o local – que recebia também: Red Hot Chili Peppers, L7 e Alice In Chains.
Tudo aconteceu porque havia uma super promoção da finada Varig, uma companhia aérea que depois foi incorporada pela Gol, oferecendo um final de semana no mais luxuoso hotel paulista da época, para quem comprasse a passagem de ida e volta (com o valor sem descontos). O valor das estadias superava o valor da passagem – era uma barbada! E eu, que nem era fã de Grunge, mas amava o Pearl Jam, ouvi o incrível In Utero e resolvi que tinha que assistir esse show, afinal, tudo conspirava a favor.
Chegamos no estádio já bem alcoolizados e continuamos a tomar Skol 500ml, durante os shows. Aliás, o show do Nirvana, dessa noite, é lembrado, pela banda, como o pior de sua breve história. O solo do Flea, baixista do Red Hot Chili Peppers, em trompete, durante Smells Like A Teen Spirit, os covers absurdos de clássicos, tudo ia sendo bem absorvido pelo público embriagado. De repente, Krist sai da palco e Kurt pega o baixo e começa a destruir… Tudo vira um caos! E o show acaba antes do previsto.
De volta ao lobby do Maksoud, com seu elevador panorâmico, o centro vazado com os balcões dos apartamentos, voltamos para dentro e cascatas de plantas caindo sobre o paraíso: o bar que nunca fecha. Sério, tem um luminoso escrito: “24 Hours Open”.
No final de semana em que rolaram os shows, estavam lá hospedados: Nirvana, L7 e mais o Alice In Chains. E lá estavam eles, todos no bar que nunca fecha, tomando a “saideira”, Kurt, Novoselic, as meninas do L7, meu “ex” e um casal de amigos. Num determinado momento, fui recriminada por falar acima do volume “aceito” e intimada, pelo falecido (o ex), a subir para o quarto. A vaca da Courtney Love teve a mesma ideia… Gente chata querendo acabar a festa! Fui arrastada em direção ao elevador panorâmico. E quem estava lá, furioso? Sim, Kurt Cobain, indignado porque queria ficar. A porta fechou, mas não desistimos. Ele agarrou o corrimão interno e disse que dali não saia. Quando vi, fiz o mesmo e sorri para ele, dizendo: “I’m with you, man. No bed!”. Ele adorou. Ria e gritava palavrões e ela, Courtney, tentando tirar ele para fora… Infelizmente, a ajuda chegou de forma truculenta e fomos vencidos.
Passou-se, então, 1 ano e 3 meses, e seu corpo foi encontrado ao lado de um fuzil, sem digitais, e um bilhete suicida suspeito.
Claro que eu sabia quem ele era, mesmo “bebaca”. Ele era um menino lindo. Super-simpático, divertido. Um grande talento que nos deixou cedo demais.
 


SANDRA CARRARO é Radialista, DJ e Roqueira nata. Sandra é Colunista da 91 Rock. Apresentando artigos sobre as suas aventuras no mundo do Rock.
Todos os textos e artigos publicados na Seção “Colunistas” são de responsabilidade de seus respectivos autores. Nenhum destes textos ou artigos refletem, obrigatoriamente, a opinião da rádio 91 Rock.